quinta-feira, 31 de maio de 2007

Your Song

Passei parte da década de 70 e a década de 80 cantando Your Song, do Elton John. Adoro ele! Suas camaleônicas performances me encantam. E esta música entrou no meu coraçao.
Passei a década de 90 dançando a mesma música, com outro ritmo e outra cara: a de Billy Paul. Esta música me acompanha há 30 anos....putz!

Brasiiiiilllll

Irei ao Recife no final de junho. Aproveitarei as férias daqui para trabalhar lá. Bem bonzinho, porque estarei com Rodrigo, Renato, meu irmao, minha cunhada e todas as pessoas significativas para mim que residem naquele canto iluminado do mundo. Uma autêntica alegria! Felipe, Greyce, Cidinha...quando iniciaremos a maratona verbal-afetiva? Quando começaremos os trabalhos?

Chavela Vargas

Foto: José Méndez / EFE
Chavela Vargas é uma figura curiosa! Imagino que atualmente ela deve ter mais de 85 anos. Continua forte e com o vozeirao de sempre. Eu a ouvi há muitos anos, quando ainda morava no Brasil; aqui, ouvi sua voz rascante durante um ano, em todos os banhos que tomava. Explico: na primeira casa onde morei, em Bilbao, tinha um aparelho de som no banheiro e eu a ouvia cantar Amanecí en tus brazos, junto com Ana Belén, diariamente. Sua voz já me era super familiar quando vi o filme sobre a vida de Frida Khalo - sua grande amiga e talvez seu grande amor -, onde ela dava voz à cançao La Llorona.
Esta artista nasceu em Costa Rica, mas saiu de lá com 14 anos, devido às confusoes familiares ocasionadas por sua homossexualidade. Foi viver no México, país que adora.
Chavela bebeu todas as tequilas possíveis e imagináveis. Vivia na esbórnia mexicana. Apaixonou-se muitas vezes, ganhou dinheiro, perdeu tudo inúmeras vezes, teve uma vida desregrada...uma autêntica orgia alcoólica! Devido a estes excessos, ficou uns 15 anos desaparecida dos cenários musicais, em total decadência. Até que Pedro Almodóvar a encontrou num obscuro bar da cidade do México e a trouxe para Espanha, ajudando-a na reestruturaçao de sua vida. Hoje ela nao bebe mais e faz concertos impressionantes pelo mundo. Ela é óóótima; ele, também. Se eu nao gostasse dele pelos seus filmes, gostaria por sua humanidade.

quarta-feira, 30 de maio de 2007

Photoespaña

Uma das melhores fotos de Photoespaña 2007, de Andrés Serrano.

Uma senegalesa

A foto é de Finbarr O'Reilly (Reuters). Coloquei aqui porque gostei do sorriso da senegalesa e do colorido da foto.

Esculturas de areia

Este ano, o festival anual de esculturas de areia, em San Petersburgo, conta com representantes de 20 países. É incrível o que eles fazem!
Lembro dos castelos de areia que fazíamos quando crianças. Nao tinha arte, mas tinha esforço e concentraçao. Era gostoso!
Foto: Alexander Demianchuk / Reuters

Dia de sol


Depois das tempestades da semana passada, Madrid está completamente ensolarada e agradável. Hoje, entre uma aula e outra, saí olhando para os lados - seguindo o conselho de Vivien. Vi uma cidade bonita, com muito verde, cheia de turistas e com uma luminosidade maravilhosa. A temperatura de 22 graus provocava o desejo de permanecer na rua fazendo nada...só apreciando os acontecimentos ao redor. Parece que as pessoas vivem em férias, porque as cafeterias, bares e terrazas estao sempre cheias.
Andei sem pressa pelas alamedas do Paseo del Prado até chegar ao MEC. Entrei, fiz o que tinha para fazer e saí novamente, com vontade de sentir o sol na pele. Que dia bom! Fiquei com a sensaçao que estava no lugar certo e no momento certo.

terça-feira, 29 de maio de 2007

Sem assunto

Bahhhh...ando em crise com o blog. Nao consigo nem abri-lo. Estou respirando fundo e contendo meus impulsos. Nao quero deletá-lo e me arrepender depois. Aiiii....será uma fase? Que fase é esta? Nao a identifico bem...ainda!

quarta-feira, 23 de maio de 2007

Tormentas e inundaçoes




Há dois dias que Madri está sendo fustigada por ventos fortes, tormentas e inundaçoes. Ontem, a natureza fez um escândalo aqui. Gritou e se retorceu tudo o que pôde. Reclamaçao pura! Foi loucura mesmo. No momento em que iniciou a tormenta eu estava no aeroporto. Ninguém se escutava porque o teto é de zinco, ou de outro metal qualquer, e as pedras batiam com furia impressionante no telhado. Os raios e trovoes foram assustadores.
Hoje, anunciam repeteco; amanha, tb. Dizem os meteorologistas que isso é comum nos meses de maio e junho. Confesso que eu desconhecia este costume da natureza. Na verdade, acho que ela anda mais furiosa que nunca - e com razao!
(fotos de www.20minutos.es)

Voltando

Depois de umas semanas afastadas deste blog e dos blogs dos amigos, vou regressando devagarinho. Estive com hóspedes do Brasil e andei de zigue-zague por esta banda da terra.

segunda-feira, 7 de maio de 2007

Renato e Rodolfo

Renato e Rodolfo não se separavam. Aprontavam todas e ficavam com cara de inocentes. Eram uns anjinhos irresistíveis e super simpáticos.
Como Lucinha trabalhava em muitos finais de semana, eu levava seus meninos para praia (Itamaracá). Cada um deles convidava um amigo. Naquela época, Rodrigo normalmente levava Alexandre, seu companheiro de colégio (eles tinham uns 12 anos). Renato levava Rodolfo (estes, tinham 5-6 anos). Eni, a empregada, também ia conosco.
Numa destas vezes, quando entrei com o carro na garagem, percebi que a maré estava altíssima; e o mar, super agitado. Então, antes de descermos do veículo, conversei com os meninos. Perguntei o que eles queriam fazer enquanto Eni e eu arrumávamos a casa. Rodrigo e Alexandre disseram que queriam ver seus cavalos, e foram; Renato e Rodolfo disseram que queriam brincar na rua, na frente da casa, e ficaram. Antes de entrar com Eni para nossos afazeres, conversei novamente com Renato e Rodolfo, dizendo:
- Vocês vão me prometer que não irão para o mar enquanto ele estiver cheio.
Eles responderam, imediatamente:
-Prometemos!
Fiquei tranquila com a promessa e acreditei que eles a cumpririam. Como naquela época não tinha ninguém na praia, não havia movimento de carros e, aparentemente, nenhum perigo, fui para dentro da casa. Passaram-se uns 20 minutos e percebi que não estava ouvindo a voz dos meninos. Saí da casa e fiquei tentando escutar seus ruídos. Nada. Só ouvia o rugido forte do mar. Uma intuição me levou para aquele lado, onde havia um cais. De longe, vi as ondas rebentando no cais e levantando a uma altura de dois ou três metros. Era super forte mesmo! Na pontinha do cais, com os dedos dos pés dobrando para dentro do mar, estavam os dois danados: Renato e Rodolfo. A cada onda que estourava e levantava, eles pulavam junto...quase caindo dentro da água. Fiquei gelada de medo. Não quis gritar para não assustá-los. Fui caminhando devagarinho na direção do cais, até eles perceberem minha presença. Neste momento, apontei o braço, a mão e todos os dedos na direção de casa. Eles entenderam perfeitamente o olhar. Vieram correndo. Quando passaram por mim, falei:
- Os dois para o quarto durante uma hora para pensarem no que fizeram agora.
Eles chegaram em casa, mudaram as roupas molhadas e foram para o quarto. Antes de fecharem a porta, pediram:
-Podemos comer um sanduíche?
Fiz os sanduíches e levei para eles. Quando estava saindo, reafirmei:
- Uma hora para pensarem no que fizeram.
Passado este tempo, no qual Eni e eu aproveitamos para arrumar tudo, voltei ao quarto para liberá-los e ouvir a conclusão dos mesmos.
- Vocês acham que está certo o que fizeram? Qual a conclusão desta hora de reflexão?
Renato levantou, super sério, me abraçou (ele me seduzia com um simples sorriso) e disse:
- Tu tens razão, Thelma. A gente não devia ter prometido!
Isto é, eles concluíram que o erro foi prometer; ir ao cais, iriam de qualquer maneira!
Amanhã, dia 8 de maio, Renato completa 20 anos. Transformou-se num homem lindo, gentil, educado, meigo e cheio de simpatia. Rodolfo mudou de cidade e nunca mais o vimos, mas sabemos que está bem.
Dedico este post ao menino maravilhoso que Renato leva dentro. Felicidades, querido!!!! Eu te amo muitão!
A seguir, outras fotos deste amor meu, em diferentes momentos. Tão lindinho!


domingo, 6 de maio de 2007

Dia das genitoras

Aqui na Espanha, o dia das maes é celebrado hoje, no primeiro domingo de maio. Entendo que esta é uma data fabricada, comercializada e apelativa, mas assim mesmo quero dedicar este espaço a uma mulher que, nao sendo minha mae biológica, me trata com muito carinho e respeito. Seu nome é Maria Isabel, mas a chamamos de Marisa. Ela é uma super mulher, que dedicou sua vida a criar filhos e netos com muito talento. Sinto que, apesar das diferenças de idade e das diferenças culturais, falamos na mesma frequência. Admiro sua sensibilidade e a quero muito. Ela é a mae de Viki. Um abraço forte, Marisa!

sábado, 5 de maio de 2007

Marrocos

Desde que uma aluna minha voltou de Marrakesh, Agadir e Fez, falando das maravilhas do Marrocos, das noites estreladas no deserto, dos RIADs, das praias e das montanhas, nao penso em outra coisa. Faz tempo que quero ir, mas sempre sinto um certo receio. Raquel me tirou qualquer dúvida. Busco informaçoes na Internet e encontro lugares maravilhosos. Ao Marrocos, quando der!

Estupendo!

Leio nos jornais de hoje que Lula assinou um decreto rompendo a patente de um medicamento utilizado no tratamento da SIDA, fabricado e distribuído pelos Laboratórios Merck. Nao houve acordo entre o governo brasileiro e os responsáveis da companhia farmacêutica. Depois de ler o título da reportagem e entender do que se tratava, falei comigo: "dá-lhe!"
Nesta negociaçao, os responsáveis da Merck estavam dispostos a reduzir o preço do medicamento em 30 % do seu valor para continuar abastecendo o mercado brasileiro. Isso significa que o lucro obtido nos anos anteriores era mais do que estratosférico.
Na leitura integral do texto, soube que o Brasil pode importar versoes genéricas mais baratas do tal medicamento, especialmente da India. Genial! Ideal!
Merck afirma que a atitude de Lula pode afetar os investimentos das grandes companhias farmacêuticas nos países pobres. Uma ameaça ridícula! Minha leitura é outra: Lula envia uma mensagem bem clara aos laboratórios mundiais - que têm nos países pobres sua grande fonte de riqueza - asegurando que o Brasil nao vai colaborar mais com os lucros exorbitantes e paradoxais que eles obtêm nos países do terceiro mundo. O mercado brasileiro vai atrás de soluçoes mais baratas e eficazes. Esta atitude pode provocar um efeito cascata - tomara!!! -, facilitando (re)negociaçoes mais equilibradas e justas entre as partes interessadas.
O Ministério da Saúde afirma que o genérico que substituirá o medicamento da Merck pode ser adquirido na India por 45 cents, enquanto o da Merck vale 1,59 dólares - mais que o triplo.
Este é só um exemplo do que se pode fazer para evitar o mega lucro dos tubaroes farmacêuticos sobre a pobreza e a necessidade dos países menos favorecidos. Estupendo!

quinta-feira, 3 de maio de 2007

A musa dos existencialistas

Edith Piaf foi a grande celebridade musical da França. Recentemente, o diretor Olivier Dahan resolveu dar a conhecer a vida da mulher desequilibrada e desgraçada que estava por trás da genialidade desta artista.
Saída de bairros pobres de Paris, Edith Piaf era filha de um malabarista e de uma cantora de rua. Foi criada inicialmente por uma avó; mais tarde, viveu num prostíbulo; depois, viveu com seu pai, malabarista, numa vida sem-casa. A bebida entrou cedo em sua vida e as drogas surgiram na inevitável sequência.
Um dia, um empresário da noite a ouviu cantar na rua, em troca de míseros tostoes. A partir daí, sua arte começou ser destaque.
O diretor Olivier Dahan mostra a luta desta mulher por cantar e sobreviver, por viver e amar. O filme toca. Algumas cenas sao um pouco cansativas, mas outras cenas sao fascinantes e vigorosas. Arrepiam!
Sua impressionante voz está registrada em minhas células desde a infância. Assim, esta história me tocou especialmente. Chorei bastante - eu choro até com propaganda - mas percebi que nao fui a única. Do outro lado do corredor, eu via/ouvia um senhor tirar seu lenço e enxugar inúmeras lágrimas que brotavam de seus olhos.
No momento que ela canta Non, je ne regrette rien, o filme toca seu ponto mais alto...ou simplesmente toca meu coraçao.

segunda-feira, 30 de abril de 2007

Feriado

Alguns feriados sao mais looooongos que outros. Aqui, teremos feriado até o dia 2. O movimento nesta cidade só recomeçará na quinta-feira. Assim, com a chuva e o mau tempo, aproveito para ficar dentro de casa lendo, dormindo, vendo filmes, conversando, comendo pipoca...qualquer coisa que nao seja preparar aulas. Vivo bem esta rotina tranquila. Tenho talento.

sexta-feira, 27 de abril de 2007

Um santo milagreiro?

Tenho visto placas engraçadíssimas pela blogosfera, mas ainda nao tinha visto uma lista tao grande de feitos curativos.

quarta-feira, 25 de abril de 2007

Nélida Piñon

Esta brasileira está em alta na Espanha. Em 2005, ganhou o prêmio Príncipe de Astúrias de Literatura. Agora, a Casa América, junto com a Agência Espanhola de Cooperaçao Internacional (AECI), fará uma homenagem a ela dentro do ciclo literário Semana do Autor. Será uma semana de debates sobre sua obra. No dia 11 de maio, ela mesma exporá suas idéias e métodos de trabalho.
Acho que nunca li nada dela. Pelo menos, nao lembro. Lerei.

domingo, 22 de abril de 2007

O meu pé de laranja-lima

Este é o meu pé de laranja-lima. Ele vai crescendo só com o meu entusiasmo e carinho...um pouquinho de água e sol tb. Se ele resistiu ao inverno rigoroso do lado de fora, agora ele vai em frente. O sol, o calor e os meus olhares afetivos darao um bom impulso ao seu crescimento.
Hoje foi dia de lavar o pátio e de prepará-lo para o período primavera-verao. À noite, início dos trabalhos com os amigos-primos Diego, Pablo e José Luis. Teremos saladas, sanduiches, cervejas e muita conversa.

Encontro de brasileiras

Na sexta-feira houve um encontro de brasileiras no Círculo de Bellas Artes - um local especial no centro de Madri. O motivo do encontro foi a celebraçao do aniversário de Anlene, uma mulher tranquila, doce e carinhosa que vive nesta cidade há alguns anos com seu amado Antonio.
Lá, conheci a Bianca, a Daniela, a Diana, a Sueli, a Nora Borges, a Rita, a Débora...(desculpem as que nao cito aqui, porque nao gravei o nome de todas!). Foi bem legal! Rimos, conversamos e tentamos descobrir de onde éramos todas. Sotaques distintos e muitas risadas.
Soube que várias delas participam de um coral da CASA DO BRASIL e que vao melhorando a cada dia. Quero participar tb! Sei que encontrarei com Rita na aula de Carlinhos Brown. Vamos levar nossos pandeiros, ritmos e alegria.
As fotos nao sao as melhores da minha vida, mas retratam um pouco do clima do encontro.

sexta-feira, 20 de abril de 2007

Simples e bonita

Algumas músicas chegam e ficam com a gente. Nao cansamos de cantá-las, mesmo quando elas sao uma bobagem. A cançao dos Tribalistas, Velha Infância, me despertou a atençao pelo verso "...meu riso é tao feliz contigo..." Ela entrou em mim e ficou dentro! Nao canso de cantá-la.
Acho que já vi o DVD dos Tribalistas mais de 20 vezes. Talvez a distância tenha influido no meu gosto musical atual. Como nao ouço as rádios do Brasil, nao acompanho muito os êxitos dos últimos anos. Mas este DVD foi dos melhores que eu comprei lá. Aliás, nao deixo de comprar um ou dois DVDs de músicas quando vou ao Brasil...e tb ganho vários dos amigos e familiares. Ver e ouvir os shows de música brasileira, aqui, é uma alegria. SEMPRE.

Velha Infância (Tribalistas)

Composição: Arnaldo Antunes/ Carlinhos Brown/ Marisa Monte

Você é assim
Um sonho pra mim
E quando eu não te vejo
Eu penso em você
Desde o amanhecer
Até quando eu me deito
Eu gosto de você
E gosto de ficar com você
Meu riso é tão feliz contigo
O meu melhor amigo é o meu amor
E a gente canta
E a gente dança
E a gente não se cansa
De ser criança
Da gente brincar
Da nossa velha infância
Seus olhos meu clarão
Me guiam dentro da escuridão
Seus pés me abrem o caminho
Eu sigo e nunca me sinto só
Você é assim
Um sonho pra mim
Quero te encher de beijos
Eu penso em você
Desde o amanhecer
Até quando eu me deito
Eu gosto de você
E gosto de ficar com você
Meu riso é tão feliz contigo
O meu melhor amigo é o meu amor
E a gente canta
E a gente dança
E a gente não se cansa
De ser criança
Da gente brincar
Da nossa velha infância.

quinta-feira, 19 de abril de 2007

Carlinhos Brown

No dia 24, às 18 h, Carlinhos Brown vai dar um aula de percussao na Casa América (aquele palacete na Praça de Cibeles, que Pablo disse que é mal-assombrado e que agora tenho medo de entrar).
A condiçao para participar de sua aula é levar um instrumento de percussao. Bora lá?
Vou levar um pandeiro e soltar o corpo com este mágico do som.

José Luis


Eu tenho um amigo muito querido aqui em Madrid, que chamamos de Josssssé Luis. Ele é super educado, amável, inteligente, doce, simpático, empático e, especialmente, criativo. Um artista verdadeiro: faz teatro, canta, dança, pinta, desenha, costura, cozinha, conversa...e tudo ele faz bem feito! Eu admiro muito este menino. Ele é destas pessoas que nos chega à alma.
Hoje o menino faz quarenta anos e eu quero deixar meu abraço aqui. Felicidades, Josssssé Luis!!!!! Nao fica triste pela idade, nao. Certamente tu estás entrando na melhor fase da tua vida. Te desejo o melhor! Tu és um encanto de chico!

segunda-feira, 16 de abril de 2007

Um violinista

Quando vou dar aulas em Quatro Caminos, um bairro ao norte de Madrid, tenho que trocar de metrô na Estaçao de Novos Ministérios. Adoro passar por ali às 19 horas, quando a estaçao está repleta de gente. Pode parecer estranho, mas como sou uma observadora nata do comportamento humano, este horário é perfeito para a minha análise sociológica pessoal. Normalmente, neste horário e num cruzamento de corredores que leva a distintas linhas de metrôs, encontro um músico destes que toca durante horas e que, pelo menos para mim, alegra a passagem pelo lugar. Este músico é russo ou romeno ou húngaro ou búlgaro. Enfim, é do leste. Em alguns dias, ele toca cello; en outros, violino. Este cara é muuuuuuito bom! Adoro quando ouço seus acordes. Sempre deixo umas moedas e ele me sorri. Já somos quase amigos (rsss).
Hoje li no jornal uma pergunta que levou meu pensamento a este músico. A pergunta era: reconheceríamos um gênio do violino no metrô ou na rua? Motivo da pergunta: o violinista Ara Malikian, de origem libanesa e com grande prestígio na Espanha, esteve 35 minutos tocando obras de Bach, com um violino-relíquia do século XVIII, e nao foi reconhecido no metrô de Madrid. Centenas de pessoas passavam e nao se davam conta de sua virtuosidade. Para o músico, ficou evidente a diferença de tocar no Teatro Real e de tocar no metrô. A prediposiçao à arte nao é a mesma. Parece que arte nao combina com pressa, com ganha-pao, com pensamentos profundos ou com os habituais ipods e mp3. Depois de mais de meia hora, Malikian tinha recebido só um par de euros. Tadinho!
Acho que o "meu" violinista ganharia mais neste espaço de tempo, porque ele já é conhecido aí e, para nós, comuns mortais, ignorantes musicais, o reconhecimento do artista tem a ver com a familiaridade que temos com o mesmo.

Lamento

Cidinha, um grande e carinhoso abraço.

O passeio de Lula

Na foto, Bosco e Lula montados no skate. Bosco é um sobrinho espanhol muito querido; Lula, seu cachorrinho. Lula nao parece nada cômodo neste veículo. E qualquer semelhança é mera coincidência.

quarta-feira, 11 de abril de 2007

Grupo multicultural

Em Boadilla del Monte, uma cidadezinha ao lado de Madrid, o Grupo Santander construiu uma cidade financeira. Os diferentes departamentos do Banco foram reunidos em uma mega-área que está a 40 minutos da capital. Os trabalhadores têm horario flexível e um plus de 900 euros para o transporte. A área é de 165 hectares, com 100 mil metros quadrados de área construída em treze edifícios enormes. Tem vários restaurantes gratuitos, creches, instalaçoes esportivas (para tênis, volei, nataçao, golf, squash, etc...), bibliotecas, centros sanitários e inúmeros microbus que circulam dentro deste espaço, levando e trazendo os funcionários de um prédio a outro. Os jornais daqui chamam esta área de Campus Financeiro (super neoliberal).
Além dos trabalhadores do Grupo Santander, circulam aproximadamente 1500 pessoas, diariamente, para a prestaçao de serviços. Eu sou uma delas. Recebi a classificaçao de professora de idiomas - com direito a fotos e revistas à minha bolsa cada vez que entro e saio da empresa. Isso é muito irritante. Vou lá para ensinar os executivos a falarem português - às vezes, sinto como se eu estivesse ensinando os magnatas a roubar o meu povo. Bem ruinzinha esta sensaçao.
Bom, mas toda esta vasta introduçao é para falar dos diversos professores de idiomas que ensinam neste conglomerado. O Santander coloca um ônibus branco e enoooorme para buscar os professores em Madrid - e para nos devolver a esta cidade depois de ensinarmos os seus funcionários. Lá vamos todos, na hora do almoço, para nossas horas de classe - africanos de muitos países (com cabelos imensos de tranças e com batas maravilhosas; russos; suecos (loiríssimos, com traços de vikings); franceses; chineses; americanos; alemaes (com cara e cheiro de pouco banho); marroquinos, ...e a brasileira (com cara de poucos amigos, mas com os olhos curiosos voltados para a fabulosa fauna). Quando o ônibus recolhe esta miniatura de representaçao do mundo, os guetos se desfazem e é um tal de ti-ti-ti entre todos. Acho que este contato multicultural é a melhor hora do trabalho.
Quando entramos na organizaçao, imediatamente ficam nítidas as diferenças: os que trabalham no Santander andam de terno e gravata e os que chegam para dar aulas sao esquisitos, multicloridos, com roupas ponta-acima-ponta-abaixo. Predomina o desalinho, as bolsas grandes e os muitos livros nas maos. Quando o ônibus chega, cada um pega um micro-ônibus para o seu destino.
Eu dou aulas no Edifício Amazônia. É o edifício cujos funcionários trabalham com o Brasil. Meus alunos vao ao Brasil uma vez por mês. Uns, gostam; outros, nao. Hoje o chefao disse que os funcionários brasileiros (os do Santander) sao inteligentes, rápidos e criativos. Ele fez uma comparaçao interessante: disse que se chegar no México e der uma ordem, esta ordem pode levar dois dias para ser cumprida. Se ele chegar no Brasil e der a mesma ordem, levará apenas 4 horas para ser realizada. Segundo ele, os funcionários brasileiros ganham melhor que todos os outros (será?!?) por este motivo. Nao sei se os funcionários brasileiros estao contentes com seus salários.
Passadas as horas de classes, voltamos aos micro-ônibus que, por sua vez, nos levam ao ônibus branco. E outra vez recomeça o ti-ti-ti. Os 40 minutos de ida e os 40 minutos de volta sao um bom exemplo de multi-interculturalismo. As culturas se misturam estupendamente.

Fórum de Língua Portuguesa

No dia 13 de abril, a Associaçao de Professores de Língua Portuguesa na Espanha vai tentar promover a vinculaçao entre os professores deste idioma.
O encontro durará apenas um dia - das 9 às 21 h - e pretende debater os novos projetos acadêmicos e culturais que podem facilitar o ensino da Língua Portuguesa - o ensino da Língua Portuguesa como Língua Estrangeira (no primário, secundário, graduaçao, pós-graduaçao e em empresas). Também serao discutidos os acordos, convênios e intercambios vigentes entre Espanha, Portugal e Brasil.
Fico gratamente surpresa com este evento porque a Língua Portuguesa, neste continente, interessa a poucos. Portugal é um dos países mais ignorados e pouco interessante para os demais europeus. Com isso, a nossa amada língua - embora falada por milhoes de pessoas - nao desperta grandes interesses nesta banda da terra. O maior interesse, neste momento, sao os intercâmbios com o emergente Brasil.

segunda-feira, 9 de abril de 2007

Para Lucinha

Uma música especial que dedico a Lucinha, onde quer que ela esteja, no 30º dia de seu falecimento (Bachiana nº 5, de Villa Lobos). Esta música toca a minha alma.

domingo, 8 de abril de 2007

Rosana


Adriana, já que tu gostas de Rosana - e eu também - deixo aqui outras duas músicas dela, que gosto muito: Si tú no estás aqui e Magia.
Como dizes tu, abraços deste lado do oceano.

Outra Semana Santa

Nao sei bem o motivo, mas a Semana Santa me fez entrar em contato com uma certa tristeza. Nao sei explicar exatamente o que é, mas sei que é um sentimento de cor gris. Na medida em que os dias foram passando, fui percebendo que meu estado anímico era de tristeza contemplativa - sentimento que se instalou há algum tempo e que está aí, dentro de mim, sem que eu consiga fazer diferente. Mas isso nao me provoca ansiedade, porque entendo que tenho que viver a tristeza até ela ir embora. Cada coisa no seu tempo.
Caminhei, passeei, conheci cidades lindas, mas nao senti aquela alegria/energia que normalmente me caracteriza nestas situaçoes.
Além dos meus sentimentos de perda e de reacomodaçao da minha existência, esta época traz o sofrimento e as penitências do cristianismo. E, aqui na Espanha, vemos o sofrimento em todas as partes. Fico impressionada - e até assustada - com as procissoes e os atos católicos.
Eu tive uma curta história de catolicismo. Fiz a primeira comunhao e logo depois desisti dos ritos católicos. De qualquer forma, tenho a impressao que este curto período de tempo impregnou meus sentimentos do sangue e do sofrimento de Cristo. Nao sei o que é verdade e o que é lenda, mas sinto um grande respeito por esta história. Isso é uma coisa. Outra coisa é que sou uma pessoa de fé que, embora nao reze as oraçoes da Igreja, que deteste as leis impostas pelo Vaticano, possui uma religiosidade cada vez mais própria e definida.
Enfim, foi uma semana santa gris e de recolhimento interno - embora eu andasse pelas ruas vendo pessoas e lugares desconhecidos. É difícil explicar e é difícil entender, mas é assim que é.

sábado, 7 de abril de 2007

Cuba e Andalucia

Desde que Fernando Trueba reuniu o pianista cubano Bebo Valdez (maravilhoso!) e o cantor andaluz Diego, El Cigala - no CD Lágrimas Negras - nunca mais parei de ouvi-los. Nao canso. Levo este CD em todas as viagens....e canto pela estrada afora! Adoro!
Uma música super conhecida aqui na Espanha é Lágrimas Negras. E esta todos os brasileiros conhecem (com a participaçao de Caetano Veloso). Nao encontrei as outras músicas que gosto deste CD, para colocar aqui.

sexta-feira, 6 de abril de 2007

Céu negro

A chuva acabou com todos os meus passeios da semana santa (Aranjuez, Toledo e Ávila). De repente, o céu ficava negro e desandava o maior toró. Desisto! Sábado e domingo ficarei em casa, descansando das férias. Segóvia ficará para outro momento. Farei algo que aprecio muito nestes dois últimos dias que me restam de férias: nada! Yessssssssssssssssss.

Outro passeio




O passeio hoje foi para Ávila, outra cidadezinha linda - que é das mais antigas da regiao de Castilla y León. A história conta que ela nasceu na época dos celtas, mas que foi durante o período de ocupaçao romana que realmente começou o assentamento estável.
Como nao podia ser diferente neste país, a cristianizaçao ocorreu em seus primórdios como cidade. A influência do catolicismo é bem acentuada.
Ávila é um exemplo do que foram as cidades amuralhadas da Espanha medieval. No interior dos muros, cresceram bairros, igrejas, conventos, monumentos e se multiplicaram as ruas estreitas e bonitas. É uma graça de cidade!
Da mesma forma como o passeio a Toledo, ontem, a chuva nos enviou à casa. Hoje foi um temporal bastante feio. Tivemos que parar o carro no meio do caminho, em um posto de gasolina, porque nao se via nada na frente. O céu ficou negro.
Bom mesmo é estar em casa nestas horas. Viajar e conhecer novos lugares é estupendo...e voltar para casa também!